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Fotografia minha. |
Entre a porta de entrada do edifício principal e o portão
(fotografias no post H. Miguel Bombarda I), encontra-se este recinto que, na
altura, tinha bancos e mesas e era povoado por doentes que por ali deambulavam. Um deles, ainda hoje
o recordo, assim que via entrar alguém vinha pedir um cigarro. A primeira vez
que o cigarro me foi solicitado, tive que o encontrar à pressa, colocando os
livros no chão e procurando na mala para
lho entregar, saindo a correr para a aula que, decerto, já estaria a
começar. Nas vezes seguintes, tinha perto de mim os cigarros e isqueiro pois
já sabia que ia ser chamada. Nunca houve uma agressão, uma voz mais alta,
somente um pedido submisso.
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Fotografia minha. |
Subíamos as escadas que, na altura, eram bastante usadas por médicos, enfermeiros, e outros que como nós lá andavam, em direção ao salão nobre, onde as aulas teóricas eram dadas.
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Fotografia retirada da net. Salão Nobre. |
Usei-o precisamente como aparece nesta fotografia.
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Fotografia minha. |
Findas as aulas, de novo eram descidas as mesmas escadas,
onde em baixo e à direita, estava uma bancada cheia de livros técnicos para
venda que faziam as minhas delícias.
" O complexo está a ser tomado pela destruição. Há por todo o lado bocados de tinta amarela a descamar (...). Nos caixilhos das janelas floresceram uma pequenas campânulas verdes (...) percorro o recinto que conheci ainda com doentes. O segurança que me acompanha diz que é comum, sobretudo em dias de vento, ouvir nacos de edifício a caírem, não se sabe se de chão se de tecto."
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Fotografia minha. |
Também eu, percorrendo este lugar sozinha, me dei conta da destruição. Em muitos locais nem entrei, não por mim, mas para segurança de quem me deixou entrar e que ficaria com o emprego em causa, caso algo me acontecesse lá dentro.
Não nos esqueçamos que, apesar da minha linguagem
saudosista, outras realidades mais árduas se passavam nestes espaços. De alguma
forma, por elas tentarei passar nos restantes postes.
In, Gomes, Catarina. Coisas de Loucos, p. 29.